IV Bienal de Gravura do Douro arranca a 10 de Agosto
› A partir do próximo dia 10 de Agosto, a pequena vila duriense de Alijó volta a assumir a posição de “capital nacional da gravura contemporânea”. A IV Bienal de Gravura do Douro, um certame já reconhecido a nível nacional e internacional, está prestes a abrir as suas portas, apresentando-se ao público com mais novidades e novas ambições.
› A principal novidade desta quarta edição, que conta com 47 países representados, com a participação de 166 artistas e com 355 gravuras em exposição, prende-se com a homenagem que será prestada a Paula Rego, nome maior no panorama nacional das Artes Plásticas. Os trabalhos da pintora vão estar em exibição na Galeria de Exposições do Teatro Auditório Municipal de Alijó.
Nas Piscinas Municipais estará uma mostra de trabalhos de Humberto Marçal, enquanto que o Auditório Municipal recebe o acervo da Cooperativa Árvore, que reúne gravuras de artistas como José Rodrigues, Júlio Resende, Graça Morais, Albuquerque Mendes, Ângelo de Sousa, Sá Nogueira e Vieira da Silva.
Segundo Nuno Canelas, o director da Bienal Internacional de Gravura do Douro, que se diz um “verdadeiro apaixonado” pelo Douro, o principal objectivo desta iniciativa é precisamente “promover, através das Artes Plásticas, a região duriense”, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade.
“Alijó pode afirmar-se como capital da cultura do Douro, uma vez que já demonstrou ter potencial e capacidade para oferecer um evento com projecção e renome internacional, neste caso ligado às Artes Plásticas”, afirmou o também director do Núcleo de Gravura de Alijó, para, de imediato acrescentar: “o Douro merece um evento deste género”.
Mas, para além dos artistas de renome que participam no evento, a Bienal apresenta-se com uma outra novidade “que terá continuidade nas próximas edições”: a relação a mater com as gravuras rupestres do Vale do Côa. Nesse sentido, foi já assinado um protocolo entre o Núcleo de Gravura de Alijó, a Câmara Municipal de Foz Côa e o Parque Arqueológico do Vale do Côa, com vista a assegurar a continuidade desta cooperação, que pode ser encarada como um “diálogo visual entre gravura rupestre e contemporânea”. “Diálogos” – Gravura Rupestre VS Gravura Contemporânea” é o nome da exposição que reunirá no Pavilhão dos Desportos de Alijó e no Centro Cultural de V. N. de Foz Côa, cerca de 20 gravuras, rupestres e contemporâneas, contracenando umas com as outras”, explicou Nuno Canelas. No entender do director da Núcleo de Gravura de Alijó, é incontestável que, a nível nacional, o Douro marca a forte aposta na gravura rupestre e contemporânea.
Dar continuidade à Bienal da Gravura, “melhorando sempre a qualidade de cada nova edição”, “abrir mentalidades” e “ajudar a desenvolver a sensibilidade artística e cultural das gentes do interior” são propósitos pelos quais os organizadores da iniciativa continuam a “lutar”.
E é de “luta” que realmente é necessário falar num país onde ainda não existe uma licenciatura em Gravura e onde “continua a não ser dada grande relevância a esta arte”. Uma vez mais, para contrariar a tendência, surge o Núcleo de Gravura de Alijó que, em estreita colaboração com a Câmara Municipal local, pretende criar o Museu da Gravura Contemporânea, que representará o “apogeu de todo o projecto da Bienal da Gravura”. “Este será o passo que Portugal nunca deu: considerar a gravura contemporânea como uma arte tão importante como a pintura, por exemplo”, sustentou Nuno Canelas, notando também a necessidade de existir, em Alijó, um espaço adequado para guardar o espólio resultante das bienais realizadas.
O mesmo responsável adiantou ainda que “há intenções por parte da Câmara Municipal de Alijó em avançar com uma candidatura ao novo programa de apoios comunitários para a concretização do Museu de Gravura Contemporânea”.
Durante o decorrer desta IV Bienal da Gravura do Douro, que termina a 10 de Setembro, os visitantes terão também oportunidade de assistir a espectáculos culturais (Jazz, Rock, Teatro e Cinema) e de participar em mais uma Oficina de Gravura em Metal, promovida pelo Núcleo de Gravura de Alijó.
10 de Agosto de 2007